O sistema representativo exclui milhões de cidadãos do processo democrático
 
Prof. J. Vasconcelos


A presente eleição confirma uma grave falha da Representação Política. O regime excluí milhões de cidadãos  de participação no Poder Legislativo. Esse impedimento antidemocrático afeta nada menos do que cerca de 99% de pessoas aptas a votar e serem votadas. Isto, com certeza, não é democracia. Tal tipo de regime se enquadra perfeitamente como uma Oligarquia, em que um grupo de cidadãos decidem, a seu bel prazer, os destinos de todos e da Sociedade e somente eles podem almejar a ser membros do Congresso.


Na verdade, esse grupo que se arvora como os únicos senhores das leis certamente não se compõe dos cidadãos comuns. Trata-se indiscutivelmente de um restrito contingente de elementos com características não coincidentes com as autenticas aspirações de toda a população do país.


Neste regime de democracia representativa, o poder legislativo não é extensivo a todos os cidadãos. O Brasil que atualmente conta com mais de 135 milhões de eleitores tem suas regras eleitorais  estruturadas de uma forma que restringe o direito de pleitear ao cargo parlamentar a um exíguo numero de indivíduos que representa um percentual abaixo de 0,1% do seu eleitorado, apenas em torno de 50.000  privilegiados.


Os escolhidos a serem parlamentares são aqueles de interesse dos partidos políticos. As decisões finais  provem de grupinhos de cada partido, seus marechais, ou até mesmo de um cacique maior. Os filiados apenas consagram em Convenções o determinado pelos donos dos partidos.


Os critérios para a escolha se centralizam em fatores que nada tem a ver com o bem da sociedade. Os chefões partidários escolhem os candidatos de acordo com sua potencialidade de gerar votos ou recursos econômicos aos seus respectivos grêmios partidários. Na mira dos partidos estão seguramente aqueles indivíduos que tenham lideranças sindicais, religiosas ou com destaque na mídia ou que possam dispender recursos financeiros e econômicos à agremiação partidária.


Preenchendo esses requisitos, qualquer coisa é válida e não são exigidos outros atributos, como honestidade, capacidade, humanitarismo, trabalhos intelectuais e de pesquisas, idealismo, etc.


Está inclusive mais evidente que alguns partidos chegam a escolher indivíduos exóticos porém populares, para engrossar a lista de seus candidatos na expectativa de que  com suas besteiras e deboches eles possam trazer o voto de protesto, pois esse absurdo do quociente eleitoral permite o aproveitamento dos votos acima da proporcionalidade em beneficio dos outros.  De fato, o voto de protesto gera votos ao partido., beneficiando os próprios marechais que também  oportunamente estão nas listas. Mas os donos dos partidos não somente escolhem indivíduos excêntricos. Eles se servem também de figuras conhecidas de certas atividades, geralmente esportivas e artísticas, para atrair votos e assim serem beneficiados.


De qualquer forma, verifica-se que a concentração de candidatos fica limitada a jogadores de futebol, personagens de televisão, cantores, comediantes, músicos populares e pregadores impetuosos de crenças religiosas. Completam as listas com os políticos profissionais que dirigem os partidos políticos.


O que se nota de imediato é que se estabelece uma exclusão aos demais cidadãos, aqueles que não são conhecidos do publico e não disponham de recursos para empregar numa campanha. Um parêntese: uma campanha a deputado federal tem seus custos estimados em mais de 1 milhão de reais.  De sorte que trabalhadores, professores, jornalistas, publicitários, médicos, cientistas, pesquisadores, advogados, engenheiros, enfim, todos aqueles que não sejam figuras populares ou não possam despender recursos em torno de 2 milhões de reais, estão simplesmente      EXCLUÍDOS  do processo eleitoral, o que significa que cerca de 135 milhões de pessoas não tiveram direito  nesta eleição em nem pensar  ser candidatos ao cargo legislativo,não obstante possam ser pessoas patriotas, dedicadas ao bem publico, com projetos importantes, abnegados e responsáveis.


Esse processo define bem a primitividade do sistema, além de demonstrar sua grande falácia, pois os seus dispositivos antidemocráticos afastam da participação milhões e milhões de pessoas.
E não é só no Brasil, porquanto ocorre semelhanças em outros paises com as mesmas organizações políticas.  A agencia de noticias EURONEWS, quando noticiou a eleição de um palhaço no nosso país, fez menção aos parlamentos europeus contendo seus palhaços. 


A doutrina da democracia pura entretanto ensina que a todos os cidadãos deve ser dado o direito de decidir sobre sua resolução de participar ou não dos cargos legislativos e não a pequenos grupos oligárquicos. 

 

 
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