Pular para o conteúdo

Por que políticos se reelegem constantemente?

  • por

Agora  é o momento de entendermos que o sistema da Representação Política no Brasil está montado pelos políticos profissionais de uma forma maquiavélica mediante expedientes que oferecem consideráveis ferramentas numa perspectiva de perpetuação no Poder.

É fácil perceber, desde o primeiro dia da posse do parlamentar no Congresso, que a Nação é obrigada a conceder-lhe dinheiro e pagamentos para manutenção de indivíduos, escritórios, viagens e despesas gráficas, em suas regiões eleitorais, trabalhando-se dia a dia, durante todo o ano, para propiciar sua reeleição.

Depois, como vimos, paralelamente eles estabeleceram um mecanismo de geração de emendas orçamentárias, pelo qual obtém liberação de verbas da educação, saúde, transporte, infraestrutura, etc. para áreas de seu domínio, vinculando serviços e obras a suas pessoas, fora outras mazelas em associações fantasmas ou pertencentes a familiares.

Obedecendo a esse esquema de favorecimento, quando os partidos políticos elaboram as listas de candidatos para cada eleição parlamentar, imediatamente encabeçam-na com  seus nomes visando à reeleição; apenas de resto entram os novos pretendentes, aqueles que ainda não tenham mandato.

Por fim, com o Fundo Partidário, os políticos profissionais, já listados na cabeça das listas, são os mais contemplados com as verbas para suas campanhas, vantagem assim esmagadora diante dos novatos. Não é outro, portanto, o resultado: as chances de serem reeleitos estão muito longe, comparado com a de estreantes, que disputam as vagas de deputados em ampla desigualdade; dessa forma,  os parlamentares concorrem no pleito eleitoral com vantagens quilométricas.

Nota-se, por aqui, que a reeleição é arquitetada e mantida com o dinheiro público numa maquinação urdida sem paralelo.  O favorecimento à reeleição abrange até mesmo aqueles parlamentares mal avaliados, pouco importa.

Não é por outra razão que se sucedem grandes percentuais de reeleições em cada novo pleito. Na eleição de 2010, foram reeleitos 55% de indivíduos já com mandatos parlamentares, afrontando o princípio democrático da alternância de poder. Na legislatura 2014-2018, nada menos do que 75% dos parlamentares foram reeleitos, derrubando literalmente o desejo de muitos iniciantes na política. Na eleição de 2018, foram 251 os reeleitos.

No entanto, dos que não foram reconduzidos, alguns não tinham se candidatado, por doença, idade e outras questões pertinentes; por exemplo, na eleição de 2010 dos que não foram candidatos, cerca de 15% conseguiram, em substituição, colocar seus afilhados e parentes nas listas e estes foram eleitos. Exato, dos novos deputados, encontramos filhos/as, irmãos e apadrinhados de deputados  que se retiraram da campanha.  Isto significa que em torno de 70% dos eleitos comungam da mesma casta oligárquica, de certa forma, hereditária.

Já na eleição se 2010, 28 novatos na Câmara Federal tinham algum parentesco com os políticos tradicionais; no Senado, eram três; a imprensa considerou que essa bancada de parentes configurava claramente a perpetuidade de uma oligarquia; não esqueçamos que não é por outra que existe uma bancada denominada de parentes  no Congresso. Apoiado  nessas circunstâncias, portanto, essas revelações nos levam também a mais uma conclusão: a oligarquia tem profundos arrimos de dinastia. Em 2018, acima de 30 famílias tinham mais de um representante no Congresso, um negocio de família: seis em cada dez parlamentares tinham parentes na política.

Herdeiros de políticos ocupavam metade da Câmara.  Por isso, que existe modesta renovação no Congresso, confirmando a existência de instrumentos antidemocráticos que cimentam a predominância de uma oligarquia vitalícia.

Com certeza,  não é uma democracia: apenas uma república se aproximando de uma realeza hereditária.

Esse sistema oligárquico se repete largamente nas Assembleias Legislativas dos Estados. Dos 1057 parlamentares eleitos, na legislatura de 2014, para as 26 assembleias estaduais e para a Câmara Distrital de Brasília, 57% foram reeleitos e cerca de 15 % dos eleitos eram parentes ou indicados ou patrocinados por ex-parlamentares, consolidando oligarquias com mais de 70% de assentos restritos a seletos indivíduos, um ano após os protestos populares que, entre outras reivindicações, conclamando a renovação política.

Para não dizer outra coisa, tudo isso nos induz a concluir que aquelas “preocupações” dos paladinos deste regime para tornar a eleição justa e democrática, demonstram no mínimo não passar de manifestas hipocrisias.

Em cada eleição, a imprensa noticia essa vitaliciedade, e ouve, por mais engraçado que possa parecer, de “analistas” políticos que a tendência do POVO se mantém contra a renovação do Congresso.

Ora, mais uma vez, estabelece-se uma máquina traiçoeira e com objetivo traçado, envolvendo o povo, comprometendo-o e depois o nomeiam culpado pelo triste resultado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.